Escritor e Poeta Jean C. de Andrade

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CONVERSAS DE CAMINHONEIRO - tirado do livro Vida de Caminhoneiro

CONVERSAS DE CAMINHONEIRO

             Na profissão de estradeiro, como vi, também já ouvi muitas histórias. Algumas verdadeiras, outras, nem tanto assim. Se você prestar atenção em uma roda de caminhoneiros, com certeza vai ouvir muitas histórias engraçadas e tristes também. Foi assim que nasceu a inspiração desse livro que retrata a vida de um caminhoneiro. Quando, muitos caminhoneiros se juntam, sai de baixo! Rola todo tipo de conversa. A mais comum é falar do próprio caminhão, ou seja, dizer que o dele sobe mais que o do outro, que leva mais peso, que anda mais rápido e por aí vai. No mesmo momento, nasce não sei como e torna-se uma discussão danada.  Engraçado de se ver. Eu mesmo já participei de várias discussões como essas. Mas, o legal e o interessante é quando começam a contar histórias dos próprios companheiros de profissão.

  - Certo dia, dois compadres estavam viajando juntos em caminhões separados.  Iam para o Ceasa carregados com batatas.

Chegando a uma serra muito perigosa, o compadre, que estava na frente, pegou uma velocidade muito rápida e o outro que estava logo atrás disse: - Do jeito que o compadre descer eu também desço, o meu caminhão é melhor que o dele!  O compadre da frente cantava pneus nas curvas parecendo que não conseguiria fazê-las, chegava á levantar os pneus do chão parecendo que ia tombar, mas fazia a curva. O compadre que vinha logo atrás, morrendo de rir e gritando que era o bom, fazia o mesmo. Virava pra cá, virava pra lá e dá-lhe cantoria de pneus. Quando a serra acabou, o compadre da frente deu um jeito de parar, com muita dificuldade, no primeiro posto que apareceu, seguido de perto pelo seu maluco companheiro. Logo que pararam, o compadre desceu do caminhão todo suado e trêmulo. Seu companheiro, claro, foi ao seu encontro.

            É, compadre!! Não tem ninguém pra descer uma serra igual a nós dois, hein?! E o compadre, ainda tremendo, respondeu:

            - Seu caminhão também acabou o freio?

            Pois é assim. Onde caminhoneiro se reúne, sai de tudo e logo outra história surgiu. Um colega nosso estava viajando e de repente o pneu do caminhão estoura. Ele para no acostamento e, já tarde da noite, liga para o patrão:

            - Patrão, o pneu estourou!

            O patrão, do outro lado da linha:

            - Mas estourou de que jeito?

            - Fez buuuuuuummmmmmm, patrão!

            Outra história. Parece absurda, mas aconteceu.

            Não se trata de caminhoneiro, mas de uma pessoa que ia para Aparecida do Norte com sua esposa. Chegando à Via Dutra, entrou na contra mão e ia como se nada estivesse errado. Os automóveis, que vinham em direção contrária, piscavam os faróis a todo instante a fim de alertá-lo. A esposa perguntou-lhe por que os carros piscavam tanto os faróis.

            - Não liga não, querida, se não for acidente é guarda.

            É, meu amigo, a caminhoneirada tem história e fala mais que o homem da cobra. Quando em um escritório, se juntam três ou mais caminhoneiros, o secretário manda logo todo mundo sair, pois vira uma barulheira sem fim. É um dizendo que faz com tantas horas, outro que faz com menos. Só sei que é duro de agüentar algumas vezes. Logo o patrão chega e bota ordem na casa: - Vão conversar lá fora, se não ninguém consegue trabalhar aqui. E eu me divirto muito com esses companheiros de estrada, pois eles têm muito assunto quando a gente se encontra. Mas uma coisa me deixa cansado. É quando estamos, num final de semana, numa lanchonete e encontro com amigos caminhoneiros e... qual é o assunto??? Caminhão!! Pelo menos, no final de semana, nas folgas, nas festas... vamos falar da mulherada!!?? Por favor, né!