Escritor e Poeta Jean C. de Andrade

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mundo Ilusório

Mundo Ilusório

Cansado desta minha vida monótona e sem perspectivas de mudança,
resolvi sair pelo mundo em aventura, sendo assim reclamei á meu
pai a parte que me cabia de minha herança.

Meu pai triste com minha decisão, apenas deixou que uma
lágrima rolasse em seu rosto repleto de emoção.
Deu-me a parte de direito e se despediu desejando boa sorte,
olhando fixamente em seu filho que adentrava o mundo
cheio de ilusão.

Saí de casa sem para trás olhar, nem me importei com meus
pais e meus irmãos que no portão de casa estavam á chorar.

Adentrei em um mundo de aparências, gastando cada centavo
com futilidades de uma realidade de indecências.
Gastando com diversão o dinheiro suado de meu pai, assim
desta maneira, gastei com drogas, mulheres, orgias e bebedeira.

Quando não mais o talão de cheques podia assinar,
percebi que meus falsos amigos, aos poucos
estavam á se afastar.

Hotéis de luxo,eu não mais podia pagar,estava falido,
perdendo cada centavo do dinheiro que de meu pai havia exigido.
Triste decadência, gastei tudo que tinha vivendo uma vida
desregrada, uma vida de aparência.
Agora não tenho mais onde morar, uma simples cama,
não posso pagar, amigos não tenho mais nenhum,
estou só e abandonado neste mundo de ilusão,
moro agora nas ruas da cidade, meu cobertor é um
pedaço de papelão.

Vivo de migalhas, pedindo esmolas, dependendo da
bondade de um e de outro cidadão.
Que saudade de meus pais á quem deixei chorando com emoção,
lá eu era feliz, dormia em minha cama, tomava café e no almoço
nunca faltava o arroz com feijão.

Queria voltar, mas estava cheio de medo,
como dizer que gastei tudo que tinha em futilidades,
á meus pais isto explicar?

Há, meus pais que á anos não vejo mais,
meus irmãos já devem estar adultos, com certeza
nem se lembram que abandoná-los fui capaz.

Envergonhado, resolvi voltar para casa, pedir á meu pai,
perdão, que me aceite de volta, mas como empregado,
lá eu sei que terei um lugar guardado, um almoço e jantar,
algo que meu pai nunca negou a um contratado.

Chegando perto de casa avistei o velho portão,
meu pai estava na varanda, já com a barba branca,
neste momento doeu e bateu forte meu coração,
passou uma vida inteira diante de meus olhos,
como pude trocar meu velho pai por uma vida de ilusão.

Quando meu pai me viu, correndo veio em minha direção,
ajoelhei e pedi perdão, á ele disse que eu havia feito algo sem noção,
queria apenas que ele me aceitasse de volta, mas desta vez eu seria
seu empregado, sendo assim o meu patrão.

Neste momento com um sorriso, ele me puxou dizendo que não,
me abraçou chorando e ao Deus gritou em gratidão, me disse
palavras de amor e depois em minha orelha deu um puxão,
daqueles como quem diz, você menino aprendeu a lição.

Dinheiro a gente ganha outro, mas a vida e a alma é uma só,
sendo assim você preservou a sua reconhecendo seu erro e
voltando para o seu paizão.

Ouvindo meu pai, meus olhos choraram de emoção,
de repente vinham correndo minha linda mãe juntamente
com os meus amados irmãos.

No momento em que todos me abraçaram e em meio
aos beijos de saudade, percebi a grande riqueza
que sempre tive em minha mão, não era o dinheiro
e muito menos aquela vida de ilusão, simplesmente
era o amor de meus pais e também de meus irmãos.


(Jean C. de Andrade) - Livro Compartilhando Poesias