Escritor e Poeta Jean C. de Andrade

sábado, 17 de março de 2012

Entrevista sobre o Escritor Jean C.de Andrade e o Livro "Vida de Caminhoneiro" Coluna de Augusto Branco - Sorocaba Fácil





É bem curioso o fato de um caminhoneiro ter tornado-se um escritor. Como você descobriu esta vocação para as letras? Como surgiu a idéia de publicar um livro? Na verdade, eu não tinha a pretensão de ser um escritor, mas de repente me deu uma vontade de escrever minhas histórias e um desejo de vê-las num livro e ver pessoas se divertindo com minhas aventuras. Então nasceu o Livro “Vida de Caminhoneiro” com causos e relatos engraçados de aventuras que eu vivi, mas também há relatos mais sérios da vida de um estradeiro.

Então tudo que está escrito no livro ‘Vida de Caminhoneiro’ foi vivido por você? Boa parte dos relatos foram vividos, outros foram vividos por outras pessoas. Mas em essência são causos contados por pessoas simples que às vezes são verdadeiros e às vezes não.

Vida de Caminhoneiro tem contos bem cômicos, mas também tem algumas histórias bem tristes, e algumas histórias que emocionam o leitor, e no decorrer da narrativa são feitas algumas reflexões bem sérias a respeito da realidade do Brasil e da sociedade brasileira. (...) Sim. Faço desabafos e críticas à forma como nossos governantes cuidam de nossas rodovias, e também à forma como são tratados os caminhoneiros. Após ler este livro, a imagem que o leitor terá de um caminhoneiro será bem diferente.

De fato, a imagem que as pessoas em geral têm de um caminhoneiro é bastante estereotipada. Imagina-se que são pessoas rudes e até sem muito senso crítico, e você diz que ao ler o seu livro, as pessoas terão uma visão diferente deste profissional. Afinal, como você descreveria um típico caminhoneiro? O Caminhoneiro com aquele jeito Bruto muitas vezes é um pai de família que luta dia a dia para o sustento da mesma, viaja do Sul ao Norte, muitos são rudes mas também existem os que são muito educados e inteligentes.Muitos tem os filhos na Faculdade e Lutam dia a dia para pagar as mensalidades sem atrazo,realmente é um Trabalhador que se preocupa com sua família e o progresso do Brasil.

No Brasil, os atores Antônio Fagundes e Estênio Garcia, estrelaram um seriado de grande sucesso na TV Brasileira, o Carga Pesada, que retrata o cotidiano de dois caminhoneiros. Você consegue ver alguma verdade nas aventuras vividas por aquela dupla neste seriado, ou aquilo tudo é uma ficção muito distante da realidade de vocês? Particularmente tive a Honra de participar deste Seriado Carga Pesada ao Lado de Antonio Fagundes e Stenio Garcia, aventura esta que também está em meu Livro Vida de Caminhoneiro. Muito do que se falou na Serie teve caráter interessante porém fantástico,não retratando fielmente a verdade sobre a vida de um estradeiro, pena,pois o Ibope era maior com fatos incríveis acontecendo e muitas vezes até denegrindo a pessoa do caminhoneiro.Algumas verdades existiram,mas a maioria era Ficção.

Há algum causo do livro que você possa compartilhar resumidamente com nossos leitores para eles sentirem um pouquinho do clima que há no livro Vida de Caminhoneiro? Em minhas viagens pelo Brasil, acabo conhecendo muita gente, fazendo muita amizade. A gente acaba até não lembrando muito bem de algumas pessoas. Foi o caso, quando estava viajando e já era tarde, mas eu queria chegar até um posto em Pouso Alegre MG, onde eu pudesse dormir, pois estava muito cansado. Ao chegar ao tal posto, havia uma pessoa perto das bombas de combustível que me cumprimentou, e eu, lógico, pensando que era um amigo de quem talvez eu tivesse me esquecido, também o cumprimentei com a mão e um toque na buzina e fui encostar o caminhão em um canto ali do posto para dormir, pois estava muito cansado. Arrumei a cama, puxei a cortina e me deitei, foi quando ouvi bater na porta do caminhão e me assustei. Levantei e abri a cortina e a janela e vi que era aquele cidadão que havia me cumprimentado minutos atrás. Preocupado, eu perguntei o que havia acontecido, para que ele tivesse me acordado naquele momento. Sabe o que ele me disse? - Você olhou para mim e eu olhei para você, pintou um clima entre nós dois você não acha? Naquele momento eu fiquei com muita raiva e pus aquele caboclo pra correr dali e nem dormir eu quis mais! (...)

Com tantas aventuras vividas, viajando por tantos lugares e conhecendo tantas pessoas, você conseguiu adquirir uma riqueza de experiências que você reuniu neste livro. Mas, afinal, qual a maior lição que você considera ter aprendido nestes anos todos pelas estradas da vida? De fato aprendi muito, aprendi o verdadeiro valor de um Trabalhador Brasileiro,aprendi que a vida pelas estradas é mais complicada e perigosa do que eu imaginava,a pobreza vista de perto e também muita riqueza, a discriminação por parte de muitos, mas também o Reconhecimento de vários.
Pessoas de tantas raças e manias diferentes ,aprendi que nossa Brasil é Lindo e merece ser divulgado,dando sempre valor aos trabalhadores que lutam para o Crescimento da Nação,Principalmente o querido Caminhoneiro,que carrega Literalmente o Brasil nas Costas.

Sentimento de Emoção - Trecho do Livro Vida de Caminhoneiro

XLVII

SENTIMENTO DE EMOÇÃO

  O que é emoção? É um sentimento que sai do coração, que nos causa arrepio e orgulho de estar fazendo uma coisa de que gostamos muito. Qual caminhoneiro não sentiu adrenalina de estar no comando de um caminhão, ou até maior, uma carreta bi trem?

             Acelerar pelas estradas e rodovias ultrapassando fronteiras, visitando capitais importantes de todo Brasil. Sendo muitas vezes admirados pelas pessoas que observam aquele caminhão ou carreta toda equipada, desfilando sua beleza com muita pressão por onde passa.

             Quando estou ao volante, sim, não me envergonho de falar que me sinto muito importante, mas não é uma importância de estar aumentando o meu ego, mas sim de estar sendo útil para o crescimento de um país inteiro, pois tudo que transportamos será utilizado para construções, alimentação, diversão e talvez até salve a vida de alguém que, com certeza.

             Emoção de acelerar o carrão cada vez mais pelas rodovias, transportando todo tipo de cargas, conhecendo pessoas e culturas diferentes.

            Cidades em que passei, lembranças, com certeza, eu deixei, amigos novos eu conheci, sotaques diferentes eu conversei. Acelero meu caminhão e ultrapasso outros caminhões. E que emoções sinto em poder dar aquele toque na buzina a ar, fazendo aquele barulho como quem diz, “olha eu aqui”!

             Muito legal é esta vida de estradeiros, emoções de alegria eu sempre tive com os demais caminhoneiros, mas também emoções de tristeza por amigos que perdi e de pessoas que nunca conheci, mas que presenciei ao fim de sua vida.

             Emoções pela fé que o caminhoneiro tem que, mesmo por mais festeiro e danado que seja nunca se esquece de DEUS, e sempre tem tempo para fazer uma prece por ele e por todos seus companheiros de profissão.

  Emoção ao lembrar de sua família, esposa e filhos, que quase sempre fica em casa com um tercinho nas mãos, fazendo para o marido e papai uma linda oração.

  Qual caminhoneiro, por mais bruto que seja, nunca teve seus olhos marejados, quando se lembra de sua esposa e filhos que ficaram em casa?

  Viajar é preciso, eu li em um pára-choque. Viajo porque preciso, voltei porque te amo. Li em outro.

  Não fique surpreso ao saber que o caminhoneiro tem estas emoções, ora! Ele também é um ser humano igual a todo mundo, que chora que tem saudades e que, principalmente, também ama.

            Diga-me qual caminhoneiro não carrega consigo uma foto de sua filhinha ou filhinho e põe-na no painel de seu caminhão, ao lado da imagem de alguma santinha?

              Conheço vários assim e isso faz parte do sentimento, da emoção, emoção de ser um estradeiro que sofre muito em seu dia a dia com a falta de reconhecimento com sua profissão, mas que se esquece de todas as humilhações e dificuldades que já passou em suas viagens, mas quando chega em casa e sua família vem correndo lhe abraçar.

            O abraço carinhoso é o combustível que abastece o coração desse herói que nunca se cansa, e após esse abastecimento lá se vai ele novamente para as estradas, pois viajar é preciso, mas quando seu combustível de emoção estiver se acabando, ele com certeza vai voltar.

Trecho do Livro "Vida de Caminhoneiro" - Autor - Jean Carlos de Andrade -